COMUNIDADES DE VIDA E ORAÇÃO - Vigiai, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor (Mateus 24,42)
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21/09/2012
O DIA E A HORA
Podemos saber quando?
 
          Do Livro A SEGUNDA VINDA DE CRISTO, de MIGUEL MARTINI, Editora Canção Nova                 Com prefácio do Monsenhor Jonas Abib

          Não há dúvida de que Jesus voltará. Ele virá! Queremos agora refletir se podemos ou não saber quando. Sugiro que recorramos a alguns textos:

Daquele dia e daquela hora, ninguém sabe.  Nem os anjos dos céus, nem o filho, mas só o Pai” (Mt 24,36)

Com base nesse texto de Mateus, poderíamos parar nosso estudo por aqui, pois ele afirma: “ninguém sabe nem o dia e nem a hora”. Se nos limitássemos apenas a esse texto, concluiríamos que não nos é dado saber quando Jesus voltará.

Um segundo texto que também nos desapontaria é a primeira carta aos Tessalonicenses: “No tocante ao tempo e ao prazo, meus irmãos, é escusado escrever-vos. Porque vós sabeis, perfeitamente, que o dia do Senhor virá como um ladrão noturno. Quando as pessoas disserem paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição. Como as dores sobre a mulher grávida e não poderão escapar” (1Tes 5,1-3).

Por este texto, Paulo diz que é desnecessário escrever sobre o tempo e o prazo da segunda vinda do Senhor. Ele também afirma que o dia do Senhor virá como um ladrão. Portanto, poderíamos encerrar nosso estudo concluindo que sobre este tema não nos é dado escrever nem falar.

Em Atos dos Apóstolos, Jesus afirma: “Não compete a vós conhecer os tempos e os momentos que o Pai fixou com a sua própria autoridade” (At 1,7). Considerando os três textos, creio que poderíamos, definitivamente, fechar a bíblia e parar o estudo.

Uma conclusão precipitada poderia nos conduzir a um equívoco se considerássemos que não nos é permitido falar ou escrever sobre quando o Senhor voltará glorioso.

Creio, porém, que esses textos mostram que ninguém está autorizado a afirmar o dia em que o Senhor virá, pois só o Pai sabe.

Já houve, na história da humanidade, pessoas, membros de determinadas seitas, que marcaram data para a vinda do Senhor e levaram muitas pessoas ao erro. Algumas delas chegaram ao suicídio, como noticiado pela mídia. Outras seitas, vendo frustrada a previsão, marcaram uma nova data, o que também não aconteceu. Se nem o filho de Deus sabia o dia e a hora, claro que nenhum de nós poderia sabê-lo, até porque satanás também não sabe quando será esse dia. No dia em que o homem souber, certamente satanás saberá, e esse é um assunto exclusivo do Pai.

Mas é preciso continuar buscando, na própria palavra de Deus, se há outros textos que nos autorizam conhecer o tempo da volta do Senhor Jesus, até porque “um texto fora do contexto não é mais do que um pretexto”. Precisamos examinar a palavra de Deus no seu conjunto e não pinçar, isoladamente, esse ou aquele texto. Esse artifício foi utilizado por satanás para enganar Jesus na tentação no deserto.

Satanás conduziu Jesus a Jerusalém, colocando-o sobre o pináculo do tempo e disse-lhe: “Se és o filho de Deus, atira-te para baixo, porque está escrito ´Ele dará ordem a seu respeito para que te guardem, e ainda, eles te tomarão pelas mãos para que não tropeces em nenhuma pedra”. O inimigo estava citando o salmo 91, versículos 11 e 12. Jesus, porém, respondeu: “Não tentarás ao Senhor teu Deus”, citando Deuteronômio 6,16. Podemos tomar, ainda, o salmo 14 (13), 1: “Diz o insensato no seu coração: Deus não existe.” Se alguém maliciosamente omitisse a primeira parte desse versículo, poderia usar a própria palavra de Deus para afirmar que Deus não existe. Portanto, vamos examinar outros textos antes de concluirmos que não é possível saber o dia da vinda do Senhor.

O profeta Daniel, no Antigo Testamento, é o que mais nos dá referência a respeito dos tempos finais ou da segunda vinda do Senhor, por isso, em vários momentos, trabalharemos seu livro.

No exílio da Babilônia, Daniel recebeu de Deus a graça de interpretar sonhos; no capítulo 12, percebemos com clareza, também, que Deus revelava a Daniel os acontecimentos futuros. Vejamos: “Vai, Daniel, pois estas palavras estão fechadas e reservadas até o tempo do fim. Muitos serão purificados, alvejados, acrisolados. Os maus agirão com maldade e todos os maus ficarão sem compreender. Os que são esclarecidos, porém, compreenderão” (Dn 12,9-10).

A primeira afirmação do texto é que todas as questões escatológicas estariam fechadas até o tempo do fim. Portanto, não seria permitido compreendê-las antes do momento estabelecido por Deus. Outra afirmação do texto é que entre a revelação de Daniel até o tempo do fim haveria um período em que muitos seriam purificados, alvejados, acrisolados, ou seja, seria um período em que a história da salvação teria seu curso. Os maus, os pecadores, os orgulhosos não compreenderiam.

Esses versículos nos permitem concluir que Deus vai revelar as coisas futuras a um grupo de pessoas que vivam santamente, sejam cheias do Espírito Santo. Elas compreenderão, ao passo que outras, não. A partir, então, desse texto de Daniel, começamos a perceber indícios bíblicos de que Deus quer revelar o tempo de sua segunda vinda gloriosa.

O livro do Eclesiástico também nos dá uma pista sobre esse assunto: “Ele sondou as profundezas do abismo e do coração humano, penetrou seus segredos, porque o Altíssimo possui toda a ciência e vê o sinal dos tempos. É Ele que anuncia o passado e o futuro e revela o fundo dos segredos” (Eclo 42,18-19)

Afirma-se aqui o que já sabemos: Deus conhece o passado, o presente e o futuro, porque é onisciente. Mas o que chama nossa atenção nesse versículo é o final: “É Ele que anuncia o passado e o futuro e revela o fundo dos segredos”.

O livro do profeta Amós também nos dá um indicativo de que podemos saber quando será a segunda vinda de Cristo. O capítulo 3,7 nos recorda que “Deus não faz coisa alguma sem revelar os seus segredos aos seus servos, os profetas”.

Em Eclesiástico, Deus fala que revela o futuro. Em Daniel, diz que as pessoas esclarecidas compreenderão os tempos futuros e, em Amós, o Senhor afirma que revela a seus servos, os profetas, o que realizará no futuro. Os três textos são um indicativo de que Deus não quer esconder os acontecimentos finais à Igreja. Pelo contrário, Ele indica que quer revelá-los, porém nem todos compreenderão.

Em Gênesis, compreendemos com mais clareza o que anunciam Daniel, Eclesiástico e Amós. Vejamos um exemplo claro dessas afirmações: Deus estava para destruir Sodoma e Gomorra, pois só pecado havia chegado ao cúmulo. Deus, porém, antecipadamente, deu a conhecer a Abraão o que iria realizar: “Ocultarei a Abraão o que vou fazer, já que Abraão se tornará uma nação grande e poderosa e por ele serão benditas todas as nações da terra” (Gn 18,17-18). Foi quando Abraão intercedeu a favor da cidade (vide versículos seguintes).

Além de avisar Abraão, mandou os anjos avisarem Ló da destruição, de modo que ele pudesse salvar sua família. Ou seja, Deus não quer pegar seu povo, seus filhos, sua Igreja, desprevenidos. Por isso, Deus adverte, usa meios para dar a conhecer o que vai fazer.

No Novo Testamento, Paulo recomenda: “Vós, porém, meus irmãos, não andais em trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão” (1Tes 5,4). Lembremo-nos do que vimos em Daniel: “Os que forem esclarecidos compreenderão, mas os que estiverem no pecado, na maldade, não compreenderão”.

O que Paulo afirma aqui? Que a Igreja fiel deve estar vigilante, longe do pecado, para não ser surpreendida com a segunda vinda de Cristo. Se você andar na luz, Jesus poderá voltar a qualquer momento que você não será surpreendido. Andando na luz, você terá a compreensão necessária, segundo Daniel, do sinal dos tempos.

Jesus exorta as multidões: “Quando vedes levantar-se uma nuvem no poente, logo dizeis ´vem chuva´e acontece. Quando sopra o vento do sul, dizeis ´vai fazer calor’ é isso sucede. Hipócritas! Sabeis discernir o aspecto da terra e do céu e por que não discernis o tempo presente?” (Lc 12,54-56).

Essa exortação de Jesus se justificava principalmente porque aquele povo conhecedor da palavra de Deus há pelo menos sete séculos, esperava a chegada do Messias profetizada por Isaías (que de maneira bem detalhada descreveu aquele momento), Moisés e os outros profetas. Apesar de terem todos os motivos para discernir o tempo em que estavam vivendo, não foram capazes. Estavam muito mais preocupados em negar que Jesus era o Messias do que em procurar, de maneira sincera, comparar as profecias com os acontecimentos presentes e até mesmo com os fartos sinais que Jesus realizava.

Nesse texto de Lucas, Jesus diz: ao mesmo tempo, fiquem atentos, olhem para os sinais, para os acontecimentos e identifiquem que tempo é esse que vocês estão vivendo. É o mesmo que dizer: pelos sinais evidentes, vocês poderão reconhecer quando chegar o fim dos tempos. Isso confirma Paulo (“se andarmos na luz não seremos surpreendidos”), Daniel (“os esclarecidos compreenderão os tempos futuros”) e Gêneses (“Deus revelou a Abraão e a Ló, que revelou aos seus familiares”). A partir desses textos, podemos concluir que Jesus quer revelar à sua Igreja o tempo de sua volta.

Lucas clareia ainda mais o que dissemos: “Como aconteceu nos dias de Noé, assim também ocorrerá nos dias do Filho do homem. Comiam, bebiam, casavam, se davam em casamento até o dia em que Noé entrou na arca. Então veio o dilúvio que os fez perecer a todos. Do mesmo modo como acontecia nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, construíam, mas o dia em que Ló saiu de Sodoma caiu do céu fogo e enxofre, eliminando a todos. Será desse modo o dia em que o filho do homem for revelado” (Lc 17,26-30).

No texto acima, Jesus nos dá referências mais claras acerca dos tempos futuros: será como nos dias de Noé e Ló. Aqui valem duas observações: para punir o pecado, Deus fez duas intervenções na humanidade. A primeira, quando enviou o dilúvio; a segunda, quando destruiu Sodoma e Gomorra.

Muito bem, o que o texto nos permite entender é que na época de Noé, quando Deus decidiu destruir toda a humanidade, antes de fazê-lo, cumpriu o que estava em Gênesis 18,17 (“ocultarei a Abraão o vou fazer”), em Amós 3,7 (“o Senhor Javé não faz coisa alguma sem revelar os seus segredos aos seus profetas”) e Eclesiástico 42,18-19 (“porque o Altíssimo possui toda a ciência e vê o sinal dos tempos; é Ele quem anuncia o passado e o futuro e revela o fundo dos segredos”).

Noé era um homem justo, íntegro entre os seus contemporâneos, e andava com Deus. Gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé. A terra havia se pervertido diante de Deus e Deus decidiu destruí-la. Chamou Noé e disse: “Faze uma arca, pois vou enviar o dilúvio sobre a terra para exterminar de debaixo do céu toda carne que tiver sopro de vida. Tudo o que há na terra deve perecer, mas estabelecerei minha aliança contigo. Entrarás na arca tu e teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos contigo...”

Obediente ao Senhor, Noé inicia a construção da arca, segundo o modelo descrito pelo Senhor (cerca de 150 metros de comprimento, 25 metros de largura e 15 metros de altura). Que coisa absurda! Não havia rio nem mar e Noé começou a construir uma grande embarcação. Imaginemos as gozações que sofreu Noé. Devem tê-lo chamado de louco, desvairado, porque não havia lógica a construção daquela arca. Quando Noé começou a colocar todos aqueles animais dentro da arca, as pessoas devem ter pensado: “Agora esse homem enlouqueceu de vez”. Acontece que Noé sabia o que estava fazendo. Deus havia revelado. Assim que Noé e os seus entraram na arca e a porta foi fechada, veio o dilúvio e destruiu a todos.

Em Sodoma e Gomorra – segundo momento de intervenção divina para punir o pecado que havia chegado ao cúmulo – Deus agiu do mesmo modo: enviou dois anjos à casa de Ló e anunciou que destruiria as cidades, mas que ele e sua família seriam salvos. Mandou, inclusive, que Ló avisasse aos seus para que saíssem da cidade, pois seria destruída. Estes, porém, não lhe deram crédito. Tão logo Ló, sua mulher e suas duas filhas saíram da cidade, veio fogo e enxofre e dizimou Sodoma e Gomorra com todos os que ali habitavam.

Jesus nos adverte que sua segunda vinda será do mesmo modo: as pessoas estarão nas atividades do dia-a-dia, como se nada de anormal estivesse acontecendo. A história continuará seu curso normal até que chegue o momento da intervenção de Deus.

Concluindo, Jesus não só quer que a Igreja conheça os sinais que antecedem sua vinda, como dá muitos indicativos. Afirma que muitos estarão distraídos vivendo a vida do mundo, segundo as regras do mundo, fazendo todas as coisas naturalmente e repentinamente virá o dia do Senhor. Os vigilantes, porém, não serão surpreendidos!




 
 
 

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