COMUNIDADES DE VIDA E ORAÇÃO - Vigiai, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor (Mateus 24,42)
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04/01/2012
REFLEXÃO SOBRE DEUS UNO E TRINO
Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho
 

A solenidade da Santíssima Trindade oferece oportunidade para uma profunda reflexão sobre o primeiro e o maior mistério da fé: um só Deus em três pessoas. No Ser Supremo há uma só natureza, uma só essência, uma só substância, que subsiste nas três pessoas divinas. Pessoa é um centro de atribuição, um centro de ser e de ação.

A natureza divina tem uma tal plenitude transbordante que ela só pode ser exaurida por um tríplice Eu. O Filho nascido do Pai, antes de todos os séculos é Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai, por quem foram feitas todas as coisas. O Espírito Santo procede do Pai e do Filho, possuindo com o Pai e o Filho a mesma natureza divina. Em outras palavras, desde toda eternidade o Pai se conhece.

Este pensamento é eterno, substancial, é a imagem de toda vida divina igual a sua origem. Eis,então, a Segunda Pessoa, o Filho, o Verbo eterno. O Pai e o Filho eternamente se amam. Este amor é essencial, intemporal, é o Espírito Santo, Terceira Pessoa, que procede do Pai e do Filho. Aí está  o que distingue as três Pessoas divinas, sendo que, excluídas estas propriedades que convêm a uma Pessoa sem convir à outra, tudo é comum entre elas, tanto no interior, como no exterior, exceto, evidentemente o mistério da Encarnação que diz respeito somente ao Filho.

Este, vindo ao mundo, revelou explicitamente o mistério trinitário, que fora implicitamente anunciado no Antigo Testamento. Com efeito, Deus quando quis criar Adão disse: “Façamos o homem a nossa imagem e semelhança” (Gn 1,26) e isto denota várias pessoas em Deus. No momento em que o Todo-Poderoso vai punir Sodoma, enviou três Anjos que estavam revestidos da figura humana, os quais ficaram hospedados com Abraão que lhes falava como a um só (Gn 18,2), fato que Santo Agostinho muito bem explicou, mostrando que o Patriarca via três, mas homenageava apenas um, porque os três representavam as três Pessoas da Santíssima Trindade que são um só Deus.

O Profeta Isaías asseverou que teve uma visão dos Serafins que estavam diante do trono de Deus e cantavam em coro: “Santo, santo, santo é o Senhor Deus do universo! A terra inteira proclama a sua glória!” (Is 6,3). No Antigo Testamento, porém, não se conheceu o mistério da Trindade tal como Cristo o revelou. É evidente também que jamais a inteligência humana poderá compreender a vida íntima de Deus Uno e Trino, mas a luz da razão mostra que não se trata de um absurdo.

Aliás, temos no mundo imagens, imperfeitas é verdade, mas significativas do mistério trinitário. A alma humana representa de certo modo a Trindade divina, pois tem três faculdades, ou seja, o entendimento, a vontade e a memória, mas é uma só alma e não três almas. O sol produz luz e calor, como o Pai gera o Filho e  do Pai e do Filho procede o Espírito Santo.  Num triângulo temos três linhas formando três ângulos que se distinguem uns dos outros, consstituindo, porém, uma só figura geométrica.

O cristão que foi batizado em nome da Trindade, conforme Jesus ordenou aos Apóstolos: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19), deve viver em função das Três Pessoas divinas. O Pai gerando seu Filho pela via do pensamento e nele contemplando sua natureza e suas perfeições nos ensina que todas as luzes de nosso espírito necessitam ser consagradas a conhecer e a considerar sua grandeza infinita; o Pai e o Filho, gerando o Espírito Santo pelo amor, patenteiam que nossa vontade e todas as potências de nossa alma devem estar aplicadas a amar a santidade divina.

O Pai comunicando ao Filho toda sua essência nos faz ver quanto a bondade é fundamental em Deus, pois não houve jamais um só instante, desde toda a eternidade, sem que Ele se desse todo a seu Filho. É por isto que Ele é infinitamente bondoso fora de si mesmo e nos deu seu próprio Unigênito no mistério da Encarnação. Verídico o dito de Santo Tomás de Aquino: “Bonum est diffusivum sui – o bem é de si difusivo”.

O Pai e o Filho dos quais procede a Terceira Pessoa, Espírito de Amor, ensina a todos a verdadeira caridade que não pode ser estéril, mas deve ser eficaz, operante, amor que leva a tudo sacrificar para a glória divina e salvação do próximo. Adite-se que a união essencial entre as Três Pessoas da Trindade, não tendo senão uma mesma natureza, uma mesma vontade, uma mesma ação, não constituindo senão um só Deus, ostenta que entre os seres humanos deve haver paz, união, concórdia, a exemplo dos primeiros cristãos: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma.” (At 4,32).

Por tudo isto se deve agradecer a Deus a graça de nos ter revelado este mistério tão sublime. Cumpre multiplicar os atos de fé no Pai que nos criou, no Filho que nos remiu, no Espírito Santo que nos santifica e ilumina. Adoração profunda, feita de intenso respeito para com o Deus três vezes santo. Nunca se deve esquecer que o domingo é, por excelência, o dia da Santíssima Trindade a ser cultuada com a participação fervorosa no sacrifício da Missa.

 

 



 
 
 

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