COMUNIDADES DE VIDA E ORAÇÃO - Vigiai, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor (Mateus 24,42)
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10/02/2012
NOVAS COMUNIDADES E CARISMAS
Novos Carismas, uma resposta à súplica da igreja
 
Ainda nos dias de hoje experimentamos os frutos extraordinários da resposta de Deus à suplica do Papa João XXIII no Concílio Vaticano II que pediu uma nova primavera do Espírito Santo na Igreja. O tempo vai passando e vamos observando o quanto é perene e cheia de riqueza esta resposta generosa do Senhor que fez derramar sobre nós o seu Espírito Santo.

Depois do fenômeno da Renovação Carismática Católica pelo qual conhecemos experiencialmente a graça desse Espírito e testemunhamos seus mais incríveis sinais realizados na vida do povo de Deus, hoje estamos diante de um outro fenômeno que embora demonstre em nosso país somente agora sua força, já existe há muito tempo num processo de surgimento sereno e harmonioso no seio da Igreja.

Falamos das Novas Comunidades que com seus carismas representam um dos momentos mais férteis que já se pode observar na igreja. Elas são cheias de vigor apostólico e extremamente vivas em suas diversas formas de viver a espiritualidade.

São intensamente humanas e se expressam das mais variadas formas de evangelização. Elas existem nas formas de Vida e de Oração e constituem uma nova modalidade vocacional onde até mesmo famílias inteiras podem participar com vínculos solenemente celebrados, fato até então impensado, mesmo considerando a realidade das ordens terceiras das tradicionais ordens religiosas que tanto conhecemos.

As Novas Comunidades de Vida e Oração realizam aquilo que o Concílio proclamou, a ação dos leigos na Igreja. Fundadas por pessoas comuns, essas comunidades se desenvolvem tanto que algumas se tornam exemplares no universo da vida religiosa, alcançando o rigoroso reconhecimento canônico, tendo dentre seus membros até mesmo padres totalmente identificados com seus carismas.

O número delas no Brasil é impreciso, mas alcança algumas centenas em todas as partes do país, o que tem provocado muitas situações de dúvidas e de incompreensões principalmente por parte dos sacerdotes mais tradicionais, não obstante dos seus inegáveis frutos, são muitas vezes contestadas.

Embora se caracterize como um fenômeno, o surgimento dessas comunidades não é um fruto de iluminismos individuais, mas sim de um processo que considera sua inspiração original na pessoa de seus fundadores e que se comprova por meio de longo processo de discernimento que aprecia diversos aspectos comprobatórios dessa originalidade.

 

Fraternidade: Uma grande realidade

A vida fraterna em comunidade tem sua origem na Santíssima Trindade e assim pode ser compreendida como o “espaço humano habitado pela trindade”, o ambiente “em que cada um se sinta em condições de dar algo, sentindo-se igualmente no dever de dar o melhor de si”. E isso não é utopia, pois vemos esta oferta ocorrer com freqüência nos primórdios da comunidade cristã:

“Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um. Unidos de coração, freqüentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo” (Atos 2, 44-47)

Sabemos que o pecado gera a desarmonia, ou melhor, a ruptura com Deus e entre os seres humanos, ao passo que em Pentecostes vemos surgir pessoas irmãs capazes de compartilhar tudo. Assim percebemos a fraternidade como dom que vem do alto, pois somente o Espírito pode torná-la possível.

Ao nos revelar o Pai, Jesus também nos revela que Nele nos tornamos todos irmãos. A unidade dos cristãos é por isso considerada seu maior testemunho, a obra que o Senhor Jesus veio realizar. Portanto a missão do consagrado é anúncio e testemunho: anunciar Jesus e seu reino e testemunhá-lo com sua própria vida pela fraternidade; isto opera a humanização das relações humanas.

Precisamos, contudo, “reconhecer a necessidade de possuir lugares ‘contagiantes’ de fraternidade, pois “a Igreja deseja oferecer ao mundo exemplo de comunidades em que a recíproca atenção ajuda a superar a solidão, e a comunicação impele a todos a sentir-se co-responsáveis, o perdão cicatriza as feridas, reforçando em cada um o propósito da comunhão”.

Novas Comunidades, uma realidade leiga

 

Ao suscitar as Novas Comunidades Deus desejou contar com os leigos para fazer crescer e desenvolver sua igreja, claro que não sem os padres ou em desobediência a eles, mas em comunhão e comunhão não é subordinação, disso os coordenadores e os próprios padres precisam ter consciência. Dominar a comunidade não é nenhuma garantia de que ela não lhe trará incômodos. O papel do padre é acompanhar, mas não dominar ou liderar anulando a coordenação leiga. Ao bispo cabe verificar sua autenticidade a partir dos critérios canônicos e dos sinais de eclesialidade que essas novas expressões, quando originais, não deixam de emitir, mas o governo é essencialmente leigo e implica em liberdade para se deixar inspirar por Deus e atender aos seus apelos. (exceção apenas às comunidades cujos fundadores já sejam sacerdotes, o que, graças a Deus, é bastante comum.)

 

É triste ver as Novas Comunidades estagnadas em seus projetos à espera de anuências clericais que dependem das antigas burocracias eclesiais que envolvem a rotina sacerdotal. Deus não inspirou os novos fundadores para que eles ficassem retidos nessas estruturas já saturadas, mas sim para que fossem estruturas novas como novos caminhos e novas oportunidades para que o Evangelho se difundisse e chegasse ao coração das pessoas. É fundamental que tanto os novos fundadores como a hierarquia da igreja entendam essa dinâmica do plano de Deus para a nova evangelização prenunciada pelo Papa João Paulo II na preparação para a chegada do novo milênio e que agora se faz realidade concreta nos envolvendo.

 

O reconhecimento das Novas Comunidades é muito importante, mas não pode custar a sua liberdade e nem a sua autentica inspiração. A igreja não pode ser uma fila indiana onde cada um olhe para a nuca do outro esperando a sua vez. Ser discípulos missionários é abrir novos caminhos para a evangelização e as Novas Comunidades devem ser para a igreja esses instrumentos de Deus que abrem trilhas inovadoras por entre as densas realidades do nosso tempo.

 

No meu trabalho de formador tenho encontrado situações perturbadoras que me deixam triste e preocupado. Numa certa diocese de São Paulo o bispo exigiu que as comunidades escrevessem seus estatutos para que ele pudesse reconhecê-los, mas não considerou sua realidade ontológica, ou seja, se elas eram realmente uma autentica comunidade fundada sobre um carisma, com uma missão clara e uma espiritualidade amadurecida. Em obediência a essa ordem, um grupo de comunidades ainda sem a devida noção de sua identidade, apresentou estatutos meramente teóricos ao bispo que os aprovou. O resultado é que o bispo se desligou da diocese e as comunidades nem chegaram a existir na realidade, hoje buscam se adequar ao documento de aprovação. Mera burocracia.

 

Os leigos não podem ter medo de protagonizar seu papel na igreja, e também não podem querer que os padres estejam a seu serviço como alguns pensam. Os leigos e os clérigos colaboram entre si para o crescimento da igreja, estes, no entanto, superam aqueles em autoridade, porque pertencem a hierarquia da igreja e são merecedores de respeito e reconhecimento por isso.

 

 

Comunidades autenticamente novas

 

Os carismas surgem diante das necessidades do mundo em que vivemos. Infelizmente muitas comunidades não compreendem esta realidade e acabam por fecharem-se em si mesmas. Isso é um grande mal, pois ao deixar de viver sua dimensão missionária a comunidade se aliena e se alienando, enfraquece e corre o risco de ser extinta.

 

O mundo precisa de comunidades autênticas, que se empenhem em ser aquilo que devem ser: verdadeiros lugares de experiência com Deus, capazes formar pessoas renovadas comprometidas com uma nova sociedade.

 

É por tudo isso que sempre que partilhamos com comunidades nascentes insistimos tanto para que se debrucem sobre o carisma que Deus lhes deu, em compreenderem sua identidade para que possam dar sua contribuição à humanidade. O carisma é um dom, e sempre que o Senhor nos presenteia espera que compartilhemos com nossos irmãos dos presentes que nos dá.

 

Entendo que o processo de gestação da comunidade é um tanto confuso, pois existem tantas expectativas, mas maior que elas é a intenção do Senhor em inspirar um novo carisma. E este deve ser verdadeiramente novo. Não há porque ficarmos imitando antigas fundações, nos revestindo de seus hábitos (vestes) e costumes. Se for assim, o melhor é ingressar naquilo que já existe. Não há porque gastar tempo reproduzindo velhas estruturas.

 

Sua comunidade é chamada a ser o que para a Igreja e o mundo? Essa pergunta deverá acompanhá-la a cada dia para que jamais se perca a moção original. Após reconhecer sua identidade se faz necessário vivê-la intensamente, caso contrário a comunidade correrá o risco de mergulhar numa profunda falta de sentido e ficará procurando o que fazer e se desgastando com realidades que nada têm a ver com seu chamado primeiro.

 

A comunidade que mais glorifica a Deus é aquela que conhece sua vontade e se dedica com todas as suas forças em vivê-la com fidelidade e entusiasmo. Espero que esta comunidade seja a sua!

Deus abençoe!

 

Camila Santos

camilasantos@espacovida.com








 
 
 

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