COMUNIDADES DE VIDA E ORAÇÃO - Vigiai, porque não sabeis a hora em que virá o Senhor (Mateus 24,42)
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09/11/2012
NÃO ÀS PALMAS NA SANTA MISSA
Nossa Senhora e São João ao pé da cruz no Calvário, certamente não estavam batendo palmas
 

Arquidiocese de Niterói e as palmas na Santa Missa.


Dom Roberto Francisco, Bispo Auxiliar de Niterói, em seu último artigo publicado no site de nossa Arquidiocese, explica o porquê D. Alano e ele proibiram as palmas dentro das Celebrações Eucarísticas da Arquidiocese:

Porque não se adequa à teologia da Missa que conforme a Carta Apostólica Domenica Caena de João Paulo II do 24/02/1980, exige respeito a sacralidade e sacrificialidade do mistério eucarístico: “0 mistério eucarístico disjunto da própria natureza sacrifical e sacramental deixa simplesmente de ser tal”.

Superando as visões secularistas que reduzem a eucaristia a uma ceia fraterna ou uma festa profana. Nossa Senhora e São João ao pé da cruz no Calvário, certamente não estavam batendo palmas. Porque bater palmas é um gesto que dispersa e distrai das finalidades da Missa gerando um clima emocional que faz passar a assembléia de povo sacerdotal orante a massa de torcedores, inviabilizando o recolhimento interior.

Porque o gesto de bater palmas olvida duas importantes observações do então Cardeal Joseph Ratzinger sobre os desvios da liturgia:

 “A liturgia não é um show, um espetáculo que necessite de diretores geniais e de atores de talento. A liturgia não vive de surpresas simpáticas, de invenções cativantes, mas de repetições solenes. Não deve exprimir a atualidade e o seu efêmero, mas o mistério do Sagrado.”

Muitos pensaram e disseram que a liturgia deve ser feita por toda comunidade para ser realmente sua. É um modo de ver que levou a avaliar o seu sucesso em termos de eficácia espetacular, de entretenimento. Desse modo, porém , terminou por dispersar o propium litúrgico que não deriva daquilo que nós fazemos, mas, do fato que acontece. Algo que nós todos juntos não podemos, de modo algum, fazer.

Na liturgia age uma força, um poder que nem mesmo a Igreja inteira pode atribuir-se: o que nela se manifesta e o absolutamente Outro que, através da comunidade chega até nós. Isto é, surgiu a impressão de que só haveria uma participação ativa onde houvesse uma atividade externa verificável: discursos, palavras, cantos, homilias, leituras, apertos de mão…

Mas ficou no esquecimento que o Concílio inclui na actuosa participatio também o silêncio, que permite uma participação realmente profunda, pessoal, possibilitando a escuta interior da Palavra do Senhor. Ora, desse silêncio, em certos ritos, não sobrou nenhum vestígio”.

Finalmente porque sendo a liturgia um Bem de todos, temos o direito a encontrarmos a Deus nela, o direito a uma celebração harmoniosa, equilibrada e sóbria que nos revele a beleza eterna do Deus Santo, superando tentativas de reduzi-la à banalidade e à mediocridade de eventos de auditório.

+ Dom Roberto Francisco Ferrería Paz
Bispo Auxiliar de Niterói



NOTA:  Parabéns aos senhores bispos de Niterói, pela bonita intervenção em nome do que É Sacratíssimo, ritualmente solene e ultrapassa o entendimento humano, pois brota da Sabedoria Infinita. O que se desenrola na Santa Missa, é o mesmo que aconteceu no Calvário e que se repete diuturnamente em todo mundo.
 
Digamos para simplificar, que é semelhante um filme que relembra uma saga épica, onde um dia o sangue vivo brotou. No filme, na tela, tudo é de brincadeira, ali ninguém morreu, nem escorreu sangue de verdade, menos ainda humano. É isso o que se vê, entretanto na Santa Missa, embora o Calvário não esteja à vista, nem sangue vivo brote da Hóstia Consagrada, verdadeiramente acontece o mesmo fato, repete-se a mesma dor, o mesmo sacrifício. A mesma Morte!
 
E como tantas vezes nestes anos já perguntei: como se pode bater palmas diante do Crucificado? Como alguém poderá confraternizar-se numa mera ceia, estando para morrer em poucas horas? As palmas durante a Missa, não somente são anti-litúrgicas, como de certa forma blasfemas! Do mesmo modo, e talvez ainda pior que isso é o "abraço da paz", antes da comunhão. De fato é horrível, você se interioriza, prepara o coração para o incrível mistério do amor, e num derrepente tudo se dispersa em profusão de abraços e sorrisos. Tudo isso visa dessacralizar, destruir e banalizar o Sacrifício da Missa.
 
Mais uma coisa que deveria ser banida nas celebrações, porque desvirtuam a sublimidade do momento, são os cantos durante a fila da Comunhão. Falo em especial destes cantos modernos, tantos anti-litúrgicos, não indulgenciados, e que visam exatamente dispersar os espíritos e banalizar o Mistério. A fila da comunhão deveria ser silenciosa, com as frontes vergadas, em humildade e em profundo recolhimento, pois é onde nossa infinita miséria encontra o Supremo, no mais gratificante abraço do Eterno Amor.
 
Digo mais, se do fundo de nossa alma entendêssemos a profundidade e também a sublimidade deste momento precioso, deveríamos ir pela fila da comunhão com a alma lavada em prantos, a face regada de lágrimas, na certeza absoluta de nosso não merecimento, tamanha a graça. Na verdade se víssemos o que ali acontece e Quem recebemos, morreríamos de amor, não houvesse o amparo divino! Muitos a quem foi dado ver isso, realmente morreram, como Santa Imelda.
 
Aquela hora, única entre as 168 de uma semana, deveria ser uma hora de mergulho profundo na alma, de entrega de nossa infinita miséria, no silêncio mais absoluto de nosso coração. Assim, as palmas, os risos, os abraços, tudo aquilo que dispersa nosso confinamento em Deus, deveria ser banido, para que quando o padre pronunciasse aquele "ite Missa est", como que acordássemos de um sono profundo, não do corpo, mas da alma, para nela revitalizados dar início a uma outra semana, na companhia constante do nosso Jesus, Deus e Senhor.
 
No Calvário, duas situações marcaram comportamentos: de um lado o silencioso pranto da grande Mãe de Deus, de João e das outras Marias. Alma esmagada com o mesmo Jesus, num silêncio profundo e comovente. De outro, os gritos, os urros insanos dos algozes, as altercações e imprecações, o estalo dos escarros e cusparadas, as blasfêmias dos fariseus e da turba insana. As palmas, os risos, os abraços aqui, fazem quase o mesmo papel. Infelizmente! 

Aarão



 
 
 

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