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11/11/2021
A vida após a morte e o erro das Testemunhas de Jeová
Devido a uma leitura equivocada das Sagradas Escrituras, as Testemunhas de Jeová não acreditam na vida após a morte tal como a entendemos. De acordo com eles, nossas almas simplesmente “dormem” no além-túmulo, perdendo toda a consciência que tinham.


Gosto de escrever sobre as Testemunhas de Jeová. Eles são uma seita perigosa, que ataca a ignorância das pessoas sobre as Escrituras e a história da Igreja. Por isso, os católicos precisam saber como refutar suas crenças errôneas e argumentos sofísticos. Precisamos ser capazes de defender a nós mesmos e a nossos entes queridos de seu falso evangelho. Então, devemos ter, pelo menos, um pouco de familiaridade com sua teologia característica e as razões pelas quais eles estão erradas.

Normalmente, quando escrevo sobre as Testemunhas de Jeová, concentro-me em sua negação da divindade de Jesus, pois essa é a crença mais conhecida deles. Muitas vezes, é a primeira coisa sobre a qual falam quando batem à sua porta. No entanto, essa é a doutrina mais óbvia, mas não a única falsa que eles ensinam. Eles também defendem uma série de outras crenças errôneas, entre as quais a negação da vida após a morte. De acordo com eles, nossas almas perdem toda a consciência quando morremos, então não existe vida após a morte como normalmente a entendemos.

Céu ou ressurreição? — À primeira vista, isso pode parecer ridículo. O ponto principal do cristianismo não é que Jesus abriu as portas do céu para nós, para que possamos ir para lá quando morrermos? Bem, sim e não. Embora essa explicação não esteja errada, ela não capta a plenitude de nossa esperança como cristãos.

Sim, acreditamos que nossa alma continua viva após a morte, mas o que normalmente pensamos como vida após a morte não é realmente nosso objetivo final. Em vez disso, como professamos todos os domingos na Missa, nosso objetivo final é “a ressurreição dos mortos”. Quando Jesus voltar, no final da história humana, os mortos ressuscitarão como Ele, e desfrutaremos da bem-aventurança eterna com nossos corpos e almas reunidos.

Se lermos as Escrituras com atenção, descobriremos que, na maioria das vezes, quando se fala sobre nossa esperança futura, quase sempre se fala sobre a ressurreição, não uma vida sem corpo no céu (e.g.1Cor 15, 20-23; 1Ts 4, 14-16). Na verdade, é muito difícil encontrar passagens que falem sobre o que chamamos de céu, então a crença das Testemunhas de Jeová nesse assunto não é tão ridícula quanto pode parecer à primeira vista. Compreende-se o porquê de eles pensarem que a Bíblia ensina a ressurreição ao invés da vida sem corpo, e não a ressurreição junto com a vida sem corpo (antes da ressurreição).

A morte como sono. — Na verdade, existem até algumas passagens que parecem negar qualquer tipo de vida após a morte antes da ressurreição. Por exemplo, a Bíblia muitas vezes descreve a morte como “sono” (At 7, 60; 1Ts 4, 14), e há até uma passagem do Antigo Testamento que diz explicitamente que os mortos não estão cônscios de nada:

Com efeito, os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos de nada sabem. Para eles não há mais recompensa, porque sua lembrança jaz no esquecimento [...] Tudo o que tua mão encontra para fazer, faze-o com todas as tuas faculdades, pois que na região dos mortos, para onde vais, não há mais trabalho, nem ciência, nem inteligência, nem sabedoria (Ecle 9, 5.10).

À primeira vista, essas passagens parecem bastante convincentes. Se a morte é como o sono, e se os mortos “nada sabem” e “não há mais trabalho, nem ciência, nem inteligência, nem sabedoria”, então devem estar inconscientes. Caso encerrado, certo?

Problemas com os argumentos. — Não exatamente. Embora esses argumentos possam parecer fortes no início, na verdade, eles são muito frágeis. Para começar, vejamos o texto do Eclesiastes. Se o interpretarmos literalmente, também teremos de negar que alguém se lembre dos mortos (“sua lembrança jaz no esquecimento”), mas isso obviamente não é verdade. Não nos esquecemos das pessoas imediatamente quando morrem. Leva gerações para que a memória de alguém se perca e, no caso de pessoas famosas, pode levar séculos ou até milênios.

 


“Na região dos mortos, para onde vais, não há mais trabalho, nem ciência, nem inteligência, nem sabedoria.”


 

O autor do Eclesiastes sabia disso, então ele claramente não pretendia que levássemos suas palavras ao pé da letra. Em vez disso, ele estava simplesmente falando hiperbolicamente, exagerando para captar a tragédia da morte. Se ele estava fazendo isso em uma parte da passagem, é lógico que fizesse o mesmo no restante dela também. Ele não quis dizer que os mortos literalmente deixam de existir ou que literalmente não têm consciência de nada. Ele estava simplesmente exagerando para enfatizar o quão ruim realmente é a morte.

Quando nos voltamos para as passagens que descrevem a morte como sono, descobrimos que a interpretação das Testemunhas de Jeová também é incerta. Como sabemos que “dormir” não é apenas um eufemismo, como nossa expressão moderna “falecer”? Usamos esse eufemismo para amenizar um pouco a dor da morte e é perfeitamente possível que os autores bíblicos tenham feito algo semelhante. Na verdade, as Escrituras usam linguagem metafórica com bastante frequência (por exemplo, Jesus não é literalmente uma porta, apesar do que diz em Jo 10, 9), então o mero fato de elas descreverem a morte como sono é inconclusivo; ele é consistente com qualquer um desses pontos de vista. Portanto, se realmente queremos descobrir o que acontece depois da morte, precisamos examinar alguns outros textos menos ambíguos.

O bom ladrão. — Então, o que a Bíblia realmente diz que podemos esperar entre a morte e a ressurreição? É certo que não diz muito, mas se a lermos com atenção, diz mais do que o suficiente para refutar as Testemunhas de Jeová. Vamos começar provavelmente com a história mais famosa de todas as Escrituras: a crucificação de Jesus. Os Evangelhos nos dizem que Jesus foi crucificado entre dois criminosos, e um deles pediu misericórdia a Ele enquanto pendiam em suas cruzes (cf. Lc 23, 42). Em resposta, Jesus prometeu a ele: “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23, 43).

“A Crucificação”, por Johannes Stradanus.

Esta é uma declaração muito simples, mas nos diz tudo o que precisamos saber. Se os mortos estão inconscientes e não podem sentir tristeza, felicidade ou qualquer outra coisa, então Jesus estava mentindo e esse homem não foi para o paraíso naquele dia. Em vez disso, ele foi dormir e, mesmo depois de 2 mil anos, Jesus ainda não cumpriu sua promessa.

Mas, sabemos que não é o caso. Jesus não era mentiroso; então, se Ele disse que aquele homem estaria com Ele no paraíso naquele mesmo dia, deve ter sido verdade. A alma desse homem deve ter ido para o que hoje chamamos de céu, e ele deve ter passado a experimentar desde então as alegrias de estar lá, com Deus.

“Com Cristo”. — Vejamos a seguir o ensino de São Paulo sobre o assunto. Como os outros autores do Novo Testamento, ele também diz muito pouco sobre o estado de nossas almas entre a morte e a ressurreição, mas há uma passagem de suas cartas que muito claramente toca nessa questão. No primeiro capítulo de Filipenses, ele diz que está dividido entre dois desejos. Por um lado, deseja permanecer vivo e ajudar as igrejas sob seus cuidados, mas, por outro, também deseja morrer “para estar com Cristo” (Fl 1, 21-24).

O significado desta passagem é difícil de entender, por isso precisamos lê-la com atenção. São Paulo não diz explicitamente que ficará consciente depois de morrer, mas essa é a única maneira de dar sentido ao que ele diz. Se não, por que ele teria um desejo intenso de morrer e estar “com Cristo”? Isso não soa como se ele esperasse ficar inconsciente até a ressurreição. Pelo contrário, ele parece acreditar em que iria para o céu e experimentaria a bem-aventurança de estar com Jesus.

 


O ensino claro das Escrituras é que nossa alma permanecerá desperta e consciente depois que morrermos.


 

A verdade sobre a vida após a morte. — Existem várias outras passagens que poderíamos examinar também, mas essas duas são o suficiente para encerrar o caso para nós [1]. O ensino claro das Escrituras é que nossa alma permanecerá desperta e consciente depois que morrermos. A Bíblia, é claro, descreve a morte como “sono”, mas isso é apenas um eufemismo, muito parecido com a nossa maneira de dizer que as pessoas “falecem”. Não se trata de uma descrição literal. 

Então, também neste ponto as Testemunhas de Jeová estão erradas. Isso mostra mais uma vez como elas simplesmente distorcem a Palavra de Deus a fim de que se adeque ao seu falso evangelho.




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