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Sagrada Escritura
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03/09/2021
HOMILIA DIÁRIA - Memória de São Gregório Magno, Papa e Doutor
O monge santo que Deus não “deixou em paz” - É exatamente nos momentos mais difíceis que Deus nos envia as maiores graças, para que a sua única e verdadeira Igreja seja luz para os povos.


 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 5,33-39)

 

Naquele tempo, os fariseus e os mestres da Lei disseram a Jesus: “Os discípulos de João, e também os discípulos dos fariseus, jejuam com frequência e fazem orações. Mas os teus discípulos comem e bebem”. Jesus, porém, lhes disse: “Os convidados de um casamento podem fazer jejum enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, naqueles dias, eles jejuarão”.

Jesus contou-lhes ainda uma parábola: “Ninguém tira retalho de roupa nova para fazer remendo em roupa velha; senão vai rasgar a roupa nova, e o retalho novo não combinará com a roupa velha. Ninguém põe vinho novo em odres velhos; porque, senão, o vinho novo arrebenta os odres velhos e se derrama; e os odres se perdem. Vinho novo deve ser posto em odres novos. E ninguém, depois de beber vinho velho, deseja vinho novo; porque diz: o velho é melhor”.

 

I. REFLEXÃO

Celebramos hoje o Papa e Doutor da Igreja — grande até no título — São Gregório I, apelidado de Magno. São Gregório foi Papa durante um período difícil da história da Igreja. O Império Romano caíra no Ocidente sob o poder dos bárbaros. Eram ostrogodos, lombardos etc., que tinham invadido a cidade de Roma e destruído vários monumentos. A cidade, antes esplendorosa, chegou a ter um milhão de habitantes, mas na época de São Gregório não tinha mais do que cem mil e vivia em condições precárias, sem falar das tragédias e catástrofes que vinha sofrendo, como enchentes, pestes, fome, desordem… Eis a Roma da época.

Gregório era de família importante e nobre. Por conta disso, foi incumbido de servir política e administrativamente a cidade. Aos 30 anos, Gregório foi eleito prefeito de Roma, encarregado de administrar muita confusão e dificuldades, o que ele fez sempre com grande caridade. Embora não fosse ainda monge, diácono ou Papa, Gregório já buscava a santidade e era homem de grande virtude. Terminado o tempo de sua administração, Gregório, aos 35 anos de idade, decide deixar tudo para ser monge. Fundou um pequeno mosteiro numa propriedade da família, no Monte Célio, em Roma. A cidade estava quase despovoada. Todos os seus grandes monumentos foram depredados pelos bárbaros: o Circo Máximo, destruído, o Palatino, em ruínas; tudo, enfim, despencado. No entanto, perto dessas mesmas ruínas, Gregório começou uma vida dedicada a Deus, à contemplação das verdades divinas e à meditação das Sagradas Escrituras.

Mas que uma alma se recolha para buscar a santidade não quer dizer que Deus a vá “deixar em paz”. Pelo contrário. Retirado à solidão do mosteiro, livre enfim de funções políticas, Gregório foi convocado pelo Papa então reinante para desempenhar uma importantíssima missão. Roma fora abandonada pelo imperador, que havia tempos residia em Constantinopla, quase do outro lado do mundo. São Gregório, já feito diácono, foi enviado à nova capital do Império como uma espécie de núncio apostólico, cargo conhecido na época como apocrisiário. A missão consistia em trazer à memória do imperador a importância e o estado de Roma, que merecia toda proteção não só pelo que significara na história, mas por ser o ponto de união entre o Oriente e o Ocidente cristãos.

Foi nesse período que Gregório escreveu seu famoso Comentário ao livro de Jó, uma verdadeira enciclopédia de ascética e mística. Nele se vê um monge que era ao mesmo tempo grande pastor de almas e um sábio conselheiro. A partir de uma leitura alegórica e espiritual do livro de Jó, Gregório fala dos vícios e pecados que devemos combater e dos meios que nos podem servir para nos aproximarmos de Deus. Trata-se de uma obra de grande valia, que será comentada, lida e relida, conhecida e reconhecida durante toda a Idade Média. Essa é uma das razões por que ele será proclamado mais tarde Doutor da Igreja.

De volta a Roma, Gregório pretendia desincumbir-se destes encargos de política eclesiástica. Vai senão quando, tendo ele 49 anos, morre-lhe o então pontífice Pelágio II. Quem iria governar a Igreja? A palavra final acabou nas mãos do “senado e do povo romano”, senatus populusque Romanus, que clamou: “Gregório Papa!” Ele, que nunca na vida pensara em ser bispo, muito menos de Roma, “deu no pé”, “fugiu para o mato”, ou seja, retirou-se prontamente a uma fazenda no interior, por achar o sumo pontificado algo muito superior às suas forças e capacidades. Mas o povo precisava de ajuda e foi à caça! Sem poder mais se esconder, Gregório foi trazido quase à força para ser sagrado bispo e coroado papa. Tinha então cerca de 50 anos.

São Gregório Magno exerceu a função de Papa velando não só pela cidade de Roma e a conversão de seu povo, tão martirizado por invasões, doenças, pestes, enchentes do rio Tibre etc., mas também pelos de fora. Por isso deu especial atenção às missões, fazendo de tudo, por exemplo para evangelizar a Espanha e converter os arianos. Também enviou missionários para a Inglaterra, entre os quais estava ninguém menos que o famoso Santo Agostinho de Cantuária.

A vida de São Gregório Magno é, por assim dizer, uma “cartilha” valiosa. Temos problemas? Nossa vida está ruim? Está difícil? Pois bem, façamos o seguinte: ajudemos os outros, olhemos um pouco para fora de nós, sejamos mais missionários. Foi assim que, numa Roma capenga, claudicante, chagada de dificuldades e misérias, ele pôde fazer tanto bem a tantas almas. Fez-se missionário e se dispôs a ajudar não só o próprio povo, mas os outros, enviando-lhes apóstolos que fizessem brilhar em novas terras a fé católica, única luz para as nações. Eis o magnífico exemplo de São Gregório Magno, que certamente, de sua sede celeste, reza por nós e pelas necessidades tão prementes da Igreja nos tempos atuais. Mas se é grande a necessidade, não tenhamos medo: sejamos missionários. Convertamos mais almas. É exatamente nos momentos mais difíceis que Deus nos envia as maiores graças, para que a sua única e verdadeira Igreja seja luz para os povos.

 

 

 

 

 

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