Cidadãos do Infinito




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02/01/2012
EXEMPLO DE FÉ SESQUICENTENÁRIA
Os 150 anos da Paróquia São João Batista


EXEMPLO DE FÉ SESQUICENTENÁRIA

A Paróquia Católica de Santa Cruz do Sul completou, no último dia 06, cento e cinqüenta anos de existência. A bela missa festiva, celebrada no último domingo pelo Bispo Dom Sinésio e concelebrada por todos os párocos e ex-párocos convidados da Catedral, rememorou a religiosidade do povo santa-cruzense. Religiosidade essa que foi capaz de erguer um dos maiores símbolos de fé das Américas. Em estilo neogótico, lembrando muito as linhas arquitetônicas européias herdadas de nossos antepassados germânicos, ergue-se majestosa a Catedral São João Batista, como que velando por nós todos, povo de santa cruz.

Primeiramente, foram os jesuítas que deixaram grandes obras em nossa cidade, auxiliando na construção do Hospital Santa Cruz e dos colégios Sagrado Coração de Jesus e Marista São Luís. No Natal de 1939, em plena Segunda Guerra, foi inaugurada, de forma silenciosa, a Catedral, cuja construção iniciara onze anos antes. É comovente imaginar como deve ter sido difícil ao povo da época, proibido de falar o alemão em face da oposição do Brasil ao eixo, ter que inaugurar um símbolo gigantesco de sua fé, em quase absoluto silêncio e discrição.

Hoje, todavia, em tempos de paz, podemos (e devemos!) cada vez mais renovar a nossa fé e afirmá-la em público. Por outro lado, imperioso permanecermos atentos e alertas às tentativas de calar a expressão da fé, de golpear a liberdade de cultivá-la pública e abertamente. Exemplo disso, inclusive, revela-se na iniciativa no Decreto n.º 7.037, de 21-12-2009, que sob a justificativa de primar pelo respeito às diferentes crenças, liberdade de culto e garantia da laicidade do Estado, cogitou desenvolver mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União. Felizmente, o dispositivo foi revogado pelo Decreto nº 7.177, de 12-05-2010, e os cidadãos tiveram garantido o direito de professar suas crenças religiosas em público. É inaceitável que, a pretexto da busca de um Estado laico, se imponha aos cidadãos um Estado ateu, que tolha a liberdade dos homens de externar e difundir a própria fé. Note-se que essa defesa vale para todas as religiões para que não aconteça aqui o que está em vias de acontecer na França e na Bélgica, onde as mulheres, especialmente as de origem muçulmana, podem vir a ser proibidas de usar o véu em público, sob a pretensa justificativa de que esse traje atentaria ao republicanismo.

Além disso, não há lei ou decreto que obrigue a que, por exemplo, o Supremo Tribunal Federal ou a Câmara de Vereadores, para citar dois locais em que a cruz existe, tenham símbolos de qualquer natureza. Se eles estão lá é porque demonstram a iniciativa e concordância do povo, dos servidores e dos próprios políticos que são eleitos pelo voto de todos, ou seja, representam os valores da comunidade, dentre eles os religiosos. Ainda, existem em nosso país, diversos símbolos que são religiosos e também cartões-postais, como o famoso Cristo Redentor, o monumento do morro da Cruz e a nossa Catedral que ora saudamos. Fosse proibido ostentar a fé em público, não poderíamos tê-los? Mesmo o maior dos ateístas, não poderia concordar com tamanha atrocidade. Teríamos que modificar o nome de nossa cidade porque ele representa um símbolo cristão (a santa cruz)? A falta de racionalidade desse tipo de proibição salta aos olhos. É bom lembrar que nossa Carta Política, nossa diretriz maior, a Constituição Federal, no seu preâmbulo, invoca publicamente a proteção de Deus como fonte de consubstancialização das diretrizes constitucionais. Sempre haverá alguns que tentarão dissuadir ou minimizar a importância de Deus nas relações sociais, mas, é imperioso que não deixemos que alguns grupos de moral individualista consigam triunfar na construção de um mundo sem religião calcados na moral que só beneficie a si próprios e ao dinheiro. É nosso dever como Cristãos e Católicos enfrentarmos com nossos corações e atos, qualquer tipo de atentado à nossa fé e à nossa liberdade de exercê-la.

Como recentemente afirmou o Papa Bento XVI, em Portugal, os católicos devem sim assumir posições na esfera pública, ou seja, participar, com seus preceitos, ativamente da construção política (no sentido amplo do termo, ou seja, nos interesses dos habitantes da polis), sem que isso se traduza num confronto ético entre um sistema laico e um sistema religioso. Ao contrário, é justamente a separação entre Estado e Igreja que permite essa interação entre ambos os sistemas. Aliás, essa renovação constante que deve haver do papel dos cristãos é fruto da própria fé em um Deus conosco, ou seja, como lembrou o Santo Padre, teólogo maior de nosso tempo, na homilia da última Missa do Galo, após a ressurreição de Cristo, Deus não é mais aquele “Deus distante, que, através da criação e por meio da consciência, se pode de algum modo intuir de longe. Ele entrou no mundo. É o Vizinho. Disse-o Cristo ressuscitado aos Seus, a nós: «Eu estou sempre convosco, até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20).Os onze dias de celebração que findaram no último domingo, tiveram como ato inaugural a Santa Missa, que esteve sob a responsabilidade dos Poderes Executivo e Legislativo municipais, no dia 24 de junho, quinta-feira, em alusão ao dia de São João Batista, padroeiro de Santa Cruz do Sul. Essa missa, bem como a novena, revelam que a religiosidade do povo está imiscuida nos valores culturais que fundam nosso município, ou seja, não há como separar a identidade de nosso município da carga religiosa, nomeadamente cristã, que ele possui, sendo que esses elementos influenciam a atuação social, política e até mesmo profissional de nossa comunidade.

Assim, devemos continuar sempre firmes na fé que nos legaram os colonizadores. Aos católicos, aos cristãos e a todos os santa-cruzenses, parabéns, especialmente aos religiosos que comandam e comandaram a Paróquia, pois foi essa cultura cívico-religiosa que foi capaz de construir um monumento como a Catedral, motivo de orgulho e admiração que o povo santa-cruzense partilha com todo o mundo. Como diz o Santo Padre, que, aliás, foi belissimamente homenageado na missa de ação de graças e festiva do último domingo, “a capacidade de perceber Deus parece quase uma qualidade que é recusada a alguns. E, realmente, a nossa maneira de pensar e agir, a mentalidade do mundo atual, a gama das nossas diversas experiências parecem talhadas para reduzir a nossa sensibilidade a Deus, para nos tornar «desprovidos de ouvido musical» a respeito d’Ele”. O povo de Santa Cruz do Sul, com certeza, tem um excelente ouvido musical para Deus, ouvido esse que enche os nossos olhos ao vislumbrar a Catedral iluminada à noite, com a cruz em cima do morro em azul ao fundo, trazendo a certeza de que São João Batista roga e intercede ao Pai por nós diuturnamente.

               Dartagnan Limberger Costa, Leandro Konzen Stein e Tássia Aparecida Gervasoni






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