Cidadãos do Infinito




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14/08/2021
Um martírio profetizado por Nossa Senhora
Mártir da caridade e da família, São Maximiliano Maria Kolbe é prova de que, nos braços da Imaculada, é possível viver com a pureza dos anjos e a coragem de heróis da fé.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 19, 13-15)

 

Naquele tempo, levaram crianças a Jesus, para que impusesse as mãos sobre elas e fizesse uma oração. Os discípulos, porém, as repreendiam. Então Jesus disse: “Deixai as crianças e não as proibais de vir a mim, porque delas é o Reino dos Céus”. E depois de impor as mãos sobre elas, Jesus partiu dali.

 

I. Reflexão

 

Com grande alegria celebramos a memória de São Maximiliano Maria Kolbe. Celebrar esse sacerdote mártir nas vésperas da solenidade da Assunção da bem-aventurada Virgem Maria está cheio de significado porque São Maximiliano foi um grande apóstolo da devoção à Imaculada. Vejamos um pouco a vida dele já em espírito de preparação para a festa da Assunção

Como todo o mundo sabe, São Maximiliano Maria Kolbe nasceu no final do século XIX, mas viveu plenamente no início do XX como evangelizador e missionário franciscano, primeiro na Polônia, depois no Japão, de onde retornou para a Polônia, até ser aprisionado e mandado para o campo de concentração de Auschwitz. Lá, houve uma fuga de prisioneiros, e os nazistas decidiram matar de fome alguns dos que ficaram, caso não denunciassem quem conseguira escapar. Os nazistas condenaram dez pessoas a morrer num bunker. Entre os escolhidos havia um senhor, pai de família. Comovido com o fato de aquele homem deixar a mulher viúva e os filhos órfãos, São Maximiliano se ofereceu num ato de suprema caridade para morrer no lugar dele. Maximiliano resistiu à fome, sendo o último a morrer no bunker por causa de uma injeção letal recebida no dia 14 de agosto, ou seja, nas vésperas da solenidade da Assunção de Nossa Senhora.

Eis, em resumo, a vida dele. Olhemos agora de mais perto, a fim de compreender melhor quem foi São Maximiliano Maria Kolbe. Os santos não são improvisados, ninguém se torna santo do dia para a noite. São Maximiliano, obviamente, não se tornou santo no dia de seu martírio, mas vinha se tornando um desde a infância. Aos dez anos, ele gostava de brincar na rua, e a mãe, muito boa, queria corrigir um dos principais defeitos do filho: não voltar à casa no horário combinado. Ele quase sempre desobedecia. Certa vez, depois de ele chegar bastante atrasado, a mãe o olhou com seriedade e fez-lhe uma pergunta que transpassou o coração do menino: “Meu filho, se você continuar assim, que será de você? Quem você vai ser quando crescer?” A pergunta sobre seu futuro realmente lhe tocou a alma. Então o pequeno Raimundo (assim se chamava antes de entrar para a vida religiosa) rezou a Nossa Senhora perguntando o que seria dele.

Um belo dia, a Virgem apareceu para dar a resposta ao menino. Apresentou-lhe duas coroas belíssimas de rosas, uma de rosas brancas, outra de rosas vermelhas, e disse: “Raimundo, qual das duas coroas tu vais querer?” Ele, apenas uma criança, fez o que faria Santa Teresinha do Menino Jesus: escolheu tudo. “Quero as duas”, disse ele, e Nossa Senhora lhe entregou ambas as coroas. A branca representava a virgindade e a pureza, significando que ele não iria se casar, mas tornar-se franciscano, consagrado a Deus; a vermelha simbolizava o martírio, significando que um dia ele teria de derramar o sangue por amor a Cristo. Portanto, São Maximiliano soube desde pequeno que sua vocação seria a morte por fidelidade a Jesus.

Beatificado na época de Paulo VI, Maximiliano não era venerado ainda como mártir, razão por que se celebrava seu dia com paramentos brancos, a fim de indicar que sua morte foi mais por caridade ao próximo que um martírio, para o qual é necessário morrer in odium fidei, ou seja, por ódio a Cristo ou à Igreja Católica. No entanto, durante o pontificado de João Paulo II, polonês como ele, São Maximiliano passou a ser considerado mártir, primeiro, porque Nossa Senhora mesmo lhe dissera que o martírio seria o coroamento de sua vida e, segundo, porque ele fora preso e executado num campo de concentração por ser um frade católico. Sabe-se, aliás, que o guarda nazista que lhe permitiu morrer no lugar do pai de família o tratava com deprezo, contente por ter “um padre menos” com que se preocupar. Houve, de fato, ódio à fé no martírio de São Maximiliano, mas ainda assim é possível dizer que se trata de um martírio sui generis, por essa outra nota que nele brilha — a caridade ao próximo.

Ora, o que fez São Maximiliano capaz disso? O segredo interior estava na devoção e consagração a Nossa Senhora. Ora, uma das características básicas da consagração mariana no pensamento de São Maximiliano Maria Kolbe é a ênfase em Pentecostes, isto é, em consagrar-se a Maria para ser dócil ao Espírito Santo, assim como ela o foi no Cenáculo, reunida em oração com os Apóstolos, com o fim de sair em missão e evangelizar o mundo, trazendo todos para o amor de Cristo. A consagração a Nossa Senhora, segundo o pensamento de São Maximiliano, busca alcançar por meio da Virgem Santíssima um coração ardente de amor no Espírito Santo. E que outra coisa foi o martírio dele senão a consumação deste fogo de caridade que tanto lhe ardia no peito? Ardente de amor às almas, Maximiliano ofereceu sua vida em sacrifício, abrasado de caridade divina, sempre dócil ao Espírito Santo graças à intercessão Virgem Maria, que lhe foi transfigurando pouco a pouco o coração.

Que ele interceda por nós para que, nas vésperas da assunção da Virgem Santíssima, recebamos de nossa Mãe, gloriosa em corpo e alma no céu, o dom do Espírito Santo e possamos, abrasados de amor, dar a nossa vida para a salvação das almas.

 

SITE PADRE PAULO RICARDO.




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