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Doutrina Católica
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21/10/2021
A falsificação satânica do amor
O que é o amor? A resposta a essa pergunta tem consequências profundamente terríveis. Infelizmente, a maioria das pessoas que promovem o amor fomentam uma falsificação satânica dele.


O que é o amor? Eis uma questão que perdura. Além disso, a todo momento ouvimos falar da necessidade de “amar” — escutamos isso dos meios de comunicação, dos sacerdotes, do Santo Padre. Mas o que é o amor? A resposta a essa pergunta tem consequências profundamente terríveis. Infelizmente, a maioria das pessoas que promovem o amor fomentam uma falsificação satânica do amor.

No Catecismo da Igreja Católica, o amor é definido como “desejar o bem do próximo” (§1766). Essa forma de compreender o amor é complementada pela definição da virtude teológica do amor (ou caridade): “A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas por Ele mesmo, e ao próximo como a nós mesmos, por amor de Deus” (§1822). A definição de amor dada pela Igreja, que somos obrigados a aceitar como definição e expressão plena e verdadeira de amor, não se entende como uma “afirmação” do pecado e da natureza pecaminosa de alguém. O amor não é definido como a mera aceitação ou inclusão de outros

 


Infelizmente, a maioria das pessoas que promovem o amor fomentam uma falsificação satânica do amor.


 

De acordo com a doutrina infalível de Cristo, o amor significa amar a Deus e desejar que outros amem a Deus. Portanto, temos de saber algo sobre Deus (que é a Verdade, a Sabedoria e o Amor). Deus é o Autor da Lei Moral, à qual temos de nos conformar — com a ajuda dos sacramentos e dos ensinamentos da Igreja. Deus é também o Bem Supremo, como o Catecismo deixa claro, pois temos de “amar a Deus sobre todas as coisas”. Amar as coisas e deixar Deus de lado, fazendo delas o objeto precioso dos nossos afetos, significa cair no pecado ou — dito de forma mais apropriada — na idolatria. Em seguida, a confusão cria raízes e passa a reinar de forma soberana.

Cristo reitera que Deus é o Bem Supremo e a satisfação dos anseios do nosso coração quando sintetiza toda a Lei no amor a Deus (e ao próximo, embora Deus venha em primeiro lugar). Isso também é revelado por Cristo em linguagem mais hiperbólica quando Ele diz que quem quiser ser seu discípulo deverá abandonar seus pais e irmãos, isto é, se a nossa família é tolerante com o pecado, temos de abandonar essa fossa que nos puxa para o inferno e acolher a nossa família celestial numa peregrinação que nos unirá a Deus.

Hoje, uma parte do problema relacionado ao amor cristão é o implícito universalismo que se espalhou de forma descontrolada em toda a Igreja e na psique cristã. [N.T.: Universalismo é a crença segundo a qual todos os homens se salvarão no final, independentemente do que façam ou deixem de fazer.] A aceitação total e implícita do universalismo ou o desejo esperançoso dele causa danos à compreensão cristã do amor porque não há mais sentido em desejar o bem do próximo se não há nada que as pessoas possam fazer para prejudicar o destino eterno de suas almas. Pois, como diz o Catecismo, amar significa “desejar o bem do próximo”.

Amar o próximo significa desejar que ele ou ela se aproxime de Deus. Naturalmente, isso só pode ter eficácia se existir um inferno eterno e o castigo que aguarda as almas pérfidas e pecaminosas que escolheram outros bens em lugar do Bem Supremo. Se a pessoa desfrutará de Deus de qualquer maneira, não pode haver a obrigação de “desejar o bem do próximo”. Dessa forma, é impossível amar (levando-se em conta qualquer compreensão séria desse termo).

 


Não há mais sentido em desejar o bem do próximo se não há nada que as pessoas possam fazer para prejudicar o destino eterno de suas almas.


 

Catecismo afirma dogmaticamente a existência do inferno (cf. §1033-1037). Embora alguém possa fazer jogos de palavras, como qualquer bom sofista, e dizer que a Igreja jamais condenou alguém oficialmente ao inferno (porque esta não é a missão da Igreja), o peso da Sagrada Escritura e da Tradição não apenas declara a existência do inferno, mas também diz que ele está cheio. São Paulo e São João apresentam uma longa lista de pecados que os cristãos podem cometer e que os podem impedir de entrar no céu. Cristo também diz que muitos se aproximarão dele no dia do Juízo, mas Ele os repelirá. A longa história de comentários e reflexões da Igreja confirma a realidade do inferno e a condenação que está reservada aos maus.

Dada a realidade do pecado e do inferno (algo que os progressistas negam ou tentam ofuscar), o imperativo de amar torna-se ainda mais urgente. Lobos que se passam por católicos oferecem uma falsificação satânica do amor, a qual leva os pecadores para o inferno ao mesmo tempo que os beija e abraça ao longo do caminho, fazendo com que se sintam “amados” no percurso até a dor e a tristeza eternas. De acordo com o Catecismo, isso não é o verdadeiro amor.

Aqueles que se posicionam contra o amor falsificado que domina a mente moderna e a teologia contemporânea são os que realmente amam o próximo. Somos aqueles que não desejam ver almas devastadas, em prantos, feridas e que clamam por orientação sendo levadas, por uma crueldade insensível, para a condenação. Porém, é justamente isso o que os lobos estão fazendo — em nome do “amor”, levam cruelmente à condenação as almas que precisam ser curadas.

 


Em nome do “amor”, os lobos levam cruelmente à condenação as almas que precisam ser curadas.


 

Tradicionalmente, a Igreja Católica entende que Satanás é o grande corruptor, mas, como não é Deus, não pode criar, curar nem salvar. Em vez disso, ele só pode deformar.

Satanás faz uma paródia de Deus e corrompe o que Ele criou; corrompe, portanto, a forma como entendemos o amor. Os que afirmam que o amor é tudo, exceto desejar o bem do próximo, não passam de membros conscientes ou inconscientes da tropa de choque de Satanás. Quem diz, ao contrário, que amor significa levar o pecador a Deus pelo bem dele (assim como Cristo levou pecadores a Deus por meio da determinação: “Não pequeis mais”), esses são os verdadeiros expoentes do amor.

Num mundo saturado com a linguagem do amor, a verdade sagrada deve peneirar a erva daninha nesta época terrível. O fracasso nesse campo levaria ao triunfo da crueldade e à condenação de muitos. A maioria das pessoas que falam sobre amor não sabem o que ele é. Se a Igreja deve ser um hospital de campanha, ela também deve voltar à realidade do que é o verdadeiro amor, o verdadeiro remédio da alma, pois nenhuma cura fica completa sem a santificação da alma e a sua união com Deus por meio de Cristo. Sim, devemos cuidar dos pecadores, mas também temos de desejar que eles deixem o pecado; devemos conduzi-los a Deus para que possam receber a verdadeira cura e o amor de que necessitam.




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